Retalhos


Durante muito tempo, acreditou-se que apenas as histórias de reis, guerras e jornadas extraordinárias mereciam ser contadas. Somente as aventuras daqueles que dominavam a vida pública eram consideradas dignas de serem transmitidas de geração em geração. No entanto, as histórias que compõem nossa vida pessoal, o que ocorre no âmbito privado de nossas famílias e círculos íntimos, estão intrinsecamente entrelaçadas com o coletivo. Grandes histórias se entrelaçam com o cotidiano de trabalhadores, donas de casa e crianças – pessoas comuns que constituem uma cidade ou um país. Essas histórias podem ser narradas a partir de diferentes pontos de vista. Compreender nossa história coletiva envolve conhecer e reconhecer nossas histórias pessoais.
Somos formados por uma enorme diversidade de povos com origens diferentes. Grandes travessias, muitas vezes dolorosas, e as dificuldades de adaptação ao clima, língua e cultura ainda vivem nas memórias. Muitas dessas histórias, além de serem consideradas desimportantes, também foram dolorosas. Por isso, foram apagadas e silenciadas, restando apenas vestígios, pequenos fragmentos factuais – retalhos – que podemos reunir e, quem sabe, até compor a partir deles, um novo e melhor lugar.
Na oficina “RETALHOS” reuniremos fragmentos através da fabulação e da narração oral, criaremos novas narrativas rompendo com o esquecimento e o silenciamento. Ao compartilhar essas histórias, construímos um novo lugar, onde cada retalho se torna parte de um tecido coletivo rico em significado e conexões.
A oficina faz parte da programação do 1º Encontro de Contadores de Histórias – Teias de Ananse, que conta com programações para todas as idades e vai acontecer de 08 a 17 de setembro. Pode ser realizado de forma gratuita para toda a comunidade por conta do PIC – Programa de Incentivo à Cultura do governo do estado de Santa Catarina e patrocínio do Mercado Brasília.